Foi com certo alívio que assistiu a cabeça de Tim retornar ao estado normal, especialmente seus olhos, que já não eram mais buracos escuros e medonhos capazes de causarem calafrios sob as sombras onde estavam antes emergidos (e até na área iluminada eles ainda eram um tanto quanto assustadores, mas ela não arriscaria deixar um pensamento desses entrar em evidência, fosse verbal ou fisicamente). Outras pessoas poderiam ficar surpresas em seu lugar, assistindo a mudança quase instantânea na aparência do rapaz, mas não era como se fosse a primeira vez que presenciava aquilo e tampouco a primeira em que ele tentava assustá-la - e não se pode dizer que sem sucesso. Portanto, tratou de varrer a expressão surpresa de suas feições, o que foi relativamente fácil de se fazer, principalmente diante do suposto pedido de desculpas do rapaz. O tom irônico na voz dele era palpável e em resposta a esse sustentou apenas um olhar que poderia ser traduzido em palavras com o mesmo ar do que as dele, que se manteve mesmo depois do “momento do perdão” ter passado. - Realmente, transformar sua cabeça em uma abóbora rende bem menos piadas. - comentou, assentindo positivamente, como se aprovasse a decisão, uma expressão exageradamente séria e encorajadora - e por isso engraçada - formada em sua face. Um sorriso não tardou a surgir em seus lábios, no entanto, e Dominique abafou a risada. Imaginá-lo com uma esfera gigantesca e alaranjada em cima dos ombros a fazia pensar que aquela já não mais seria uma visão assustadora e sim divertida. Pensou em uma dúzia de piadinhas que poderia fazer a esse respeito (se ele tivesse optado por Ação de Graças ao invés de Halloween, tinha certeza que a essa altura já teria o dobro, não que isso fosse um problema), parando apenas quando ele voltou a falar. A sentença havia sido tão ampla que não tinha certeza sobre ao que se referia, fazendo-a refletir por alguns instantes, o cenho um tanto franzido. Não demorou a fazer a conexão, mas Tim já ia explicando-a em voz alta, enquanto o fazia em pensamentos. - Temporariamente e apenas em nome dos bons tempos. - respondeu com uma piscadela. A coloração avermelhada só duraria alguns dias, ou ao menos era o que pretendia que ocorresse quando fez a poção - uma mistura que deixaria professor Slughorn surpreso com suas habilidades para a matéria que lecionava - visto que apesar de sentir falta dos fios ruivos, preferia manter o loiro “original” (em especial, depois do “incidente” com Gideon e a conversa que o antecedera). Espiou-o estudando seus cabelos ruivos, virando a face assim que viu a mão do rapaz distanciar-se, como se protegesse algo, embora soubesse que era perfeitamente capaz de reparar qualquer estrago em um piscar de olhos. - A proposta é tentadora, mas creio que terei que declinar. Aliás, acho que estamos combinando mesmo assim e, além do mais, não gostaria de ter meu par confundido com um dos membros da “Caça Sem Cabeça” ou seja lá como se chama o grupo de fantasmas decapitados o qual Sir Patrick lidera. Sabe como é, falariam que pedi ao meu tataratataratataravó que ele mandasse um de seus cavaleiros ir comigo ao baile e ele ainda acaba mandando justamente o com uma abóbora no lugar da cabeça! Não ficaria bem. - disse com falsa polidez, perfeitamente ciente de que Tim estava longe de parecer um fantasma que havia perdido a vida e os miolos através de uma lâmina que cortou seu pescoço, o que só acentuava o tom de brincadeira que pretendia esboçar. - Vamos? - perguntou com as sobrancelhas erguidas indicando o corredor a frente, o braço já encaixado no dele.
Tim deu uma risada baixa com as colocações de Dominique e começou a pensar no quanto seria engraçado se ele gastasse um pouco de seu tempo para ir a uma “Caça Sem Cabeça”. A se julgar suas habilidades para o seu suposto “dom” o jovem poderia, até mesmo, enganar um ou outro fantasma desavisado, se vestido com as roupas adequadas e se conseguisse atingir um grau mais pesado de translucidez física. As transformações de Tim eram muito melhores que a maioria dos metamorfomagos de dezessete anos que estavam espalhados pelo mundo mágico. Por ser filho único e não ter grandes passatempos durante suas férias, os momentos de ócio e solidão em que estava longe de Hogwarts eram, em suma, o tempo em que o rapaz gastava treinando suas habilidades e pregando peças em filhos de vizinhos que costumam rir de sua aparência até que o pequeno Timothy tivesse sua metamorfomagia estabilizada. A leitura e o hábito de escrita também fizeram com que sua mente se expandisse a ponto de que o conhecimento do rapaz culminasse para que este conseguisse, inclusive, manter controle sobre sua habilidade alguns meses antes de completar a idade que desencadearia uma natural normatização das mudanças de seu corpo. Dominique era uma das poucas pessoas que sabiam um pouco mais sobre o talento do rapaz. Pelo mesmo, o jovem podia se lembrar com facilidade de quando ficou com os cabelos de um tom ridículo de rosa-chiclete por cerca de uma semana lá pelo seu segundo-ano em Hogwarts. Era bem chato ter que conviver com aquelas mutações constantes e lidar com piadas aqui e acolá, mas a compaixão ou, talvez, falta dela quando o assunto era Dominique Podmore e sua metamorfomagia sempre o fizeram se sentir bem com a ausência de uma aparência normal até poucos meses antes de seus treze anos.
- Não. - Disse consentindo com a cabeça para o pequeno monólogo de Dominique enquanto caminhavam para o Salão Principal com uma pressa suave e, ainda assim, um pouco exagerada. Não chegou a responder o “Vamos?” de Dominique com algo mais que o gesto de guia-la até o local do baile. – Daria para fazer muitas piadas sobre isso. – Completou como sua frase anterior, rindo para Dominique e fitando-a de soslaio com uma alegria sincera em seus gestos. De fato a estória fantasiosa da moça não seria uma maneira boa de dar procedência ao seu último ano em Hogwarts. Sair com um fantasma de trocentos anos e que tivesse uma abóbora no lugar da cabeça não era de nada discreto, ainda mais estando em um baile de máscaras. Sim, certamente seria fácil fazer piadas sobre isso.
- Aliás, eu gosto do cabelo laranja. Te dá um charme quase tão grande quanto o meu próprio. – Falou com um tom convencido pouco antes de chegarem ao Salão Principal, apertando o braço de Dominque de uma forma engraçada e erguendo as sobrancelhas para o local do baile. Apesar da piada, esta era a forma de Tim de dizer que sua amiga estava muito bonita.
(Source: tim-westenberg)
Eram mechas de um alarajado intenso que caíam sobre os ombros de Dominique quando essa começou a se vestir para o aclamado baile que deveria ocorrer dali a algumas horas. Apesar de ser originalmente loira - ou quase isso, visto que até seu segundo ano na escola de magia seus cabelos eram mais ruivos do que louros - a lufana pensou que uma ocasião como tal pedia uma mudança em sua aparência, especialmente em se tratando de uma festa onde todos os convidados deveriam ir mascarados, o que, por si só, já tornaria a missão de reconhecê-los um tanto quanto difícil, então por que ela não haveria de dificultá-la ainda mais? Além disso, o vestido que iria vestir era de uma tonalidade que a fez torcer o nariz quando o viu pela primeira vez. O negro dos tecidos que davam forma à veste era bonito e contrastava com o tom pálido de sua pele, mas também trazia a ela um ar sério nada compatível com sua personalidade - e o dourado de seus fios não contribuía em nada para dizer o contrário. Era obra de sua mãe, soube assim que abriu o embrulho, em mais uma de suas tentativas de contrariar o pedido da filha do meio, que deixara bastante claro o que queria na carta que enviou pela coruja da família quando o evento foi anunciado. Mesmo assim, tinha de admitir que a sra. Podmore tinha bom gosto até mesmo quando ia contra seus desejos, pois o vestido era realmente bonito, apesar de um tanto trabalhoso de vestir devido às saias que o faziam ser volumoso. Essas cobriam até mesmo seus sapatos de salto, o que também atrapalhava seu andar, mas tratou desse assunto com alguns acenos de varinha enquanto esperava a ação da poção que usara para tingir seus cabelos naquela tarde se concluir. Observando agora o próprio reflexo no espelho, notou que seu trabalho havia sido realmente bem feito. O vestido parecia ter sido feito originalmente daquela maneira - nem muito curto, nem muito longo, simplesmente na medida - e o corpete coberto de rendas ajustara-se perfeitamente ao seu corpo. Os fios ruivos estavam uniformes e do jeito que lembrava serem da última vez que os tingira daquela cor, mesmo que estivessem reunidos em um coque firme atrás de sua cabeça, alguns deles escapando propositalmente, como jamais estiveram antes. Realmente, um bom trabalho, apesar de um tanto demorado, visto que não possuía nenhum dom mágico para alterar suas compleições com maior facilidade, como um certo rapaz que era, eventualmente, seu par. Lembrar de Tim fez com que terminasse sua arrumação com maior rapidez, apesar de não haver a menor necessidade para tal, uma vez que tinha tempo de sobra para se arrumar - e eventualmente perturbar Jasmine com perguntas a respeito de seu acompanhante misterioso. No entanto, a jovem queria estar a espera quando ele chegasse, com um comentário sobre o quão demorado era ao se preparar para uma festa pronto para ser feito. Pensara até mesmo em chamá-lo de “noiva” e recordar-se disso fez um sorriso brotar em seus lábios levemente rosados pelo batom. As maçãs do rosto também haviam adquirido um rubor suave - e artificial - e seus olhos foram devidamente destacados, os cílios alongados, mas tudo parecia harmonioso e condizente perto da vermelhidão que margeava seu rosto e com a máscara que por fim repousou sobre sua face. Era negra como o vestido e aveludada ao toque, além de possuir traços de flores em renda que remetiam ao rendado quase invisível do justilho. Uniu as fitas presas as suas extremidades atrás da cabeça, escondendo o laço sob o coque e dirigiu uma última olhada para a sua figura refletida. Então, deixou o dormitório e depois o Salão Comunal, admirando brevemente as figuras que estavam por ali - alguns de seus amigos esperando as garotas que se preparavam nos quartos, percebeu, além de casais já formados - antes de atravessar a passagem. Com passadas decididas, deixou os barris que davam acesso ao cômodo comum dos lufanos para trás rapidamente, virando uma curva para seguir pelo corredor que levaria ao piso superior. Não conseguiu dar mais do que meia dúzia de passos por esse caminho, porém, pois quando passou por uma das armaduras que haviam sido espalhadas por toda Hogwarts, uma voz vinda das sombras fez com que se sobressaltasse. Logo detectou a criatura que produzira tal som, sem conseguir esconder a surpresa estampada em sua face. - Alguém te disse que o dia das bruxas já passou? - perguntou com petulância, como se para disfarçar o fato de que havia se assustado, mesmo que sua expressão e os passos que dera para trás a entregassem. Só poderia haver uma pessoa capaz de fazer aquilo no castelo todo, e sabia muito bem o nome dela.
A expressão de surpresa de Dominique fora um pouco menos extravagante do que o grifano esperava, contudo, o rapaz precisou admitir que ver a amiga tentando disfarçar o susto era no mínimo o suficiente para render-lhe algumas poucas risadas. Saiu das sombras com um passo ou dois e deixou a esfera laranja voltar a tomar feições humanas e masculinas. Os cabelos ficaram castanhos e bagunçados e a face tornou-se novamente pálida. O grifano deu um sorriso travesso fitando a expressão atrevida de Dominique.
- Desculpe. – Afirmou irônico fazendo uma careta breve enquanto levava a máscara que ainda estava em seus dedos para a face não mais de abóbora. – Não consegui pensar em nada que remeta a bailes escolares. Hallowen foi a data comemorativa que consegui me lembrar. Ação de Graças até me passou pela cabeça, mas… Não queria ficar com cara de peru. Daria pra fazer muitas piadas sobre isso. – Falou erguendo as sobrancelhas de uma maneira cômica e gentil. Terminou de amarrar o material de aparência metálica em sua face e deu um sorriso maroto para Dominique. Apenas nesse instante pôde de fato fita-la.
- Pelo visto você teve a mesma ideia que eu, não é? – Perguntou sendo mais enigmático do que deveria até notar que sua fala poderia ter interpretações diversas. Entretanto, o jovem apenas comentava sobre o tom avermelhado dos cabelos de sua amiga. – Cabelos de abóbora, dona Dominique Podmore? – Disse procurando fazê-la compreender a piada até que pôs a ponta dos dedos sobre a parte mínima de cabelo que escapava da extremidade do coque da ruiva com um cuidado digno para não estragar o penteado da moça. – Se quiser ainda posso voltar com a cabeça de abóbora. Daí estaremos perfeitamente parecidos. – Sussurrou com graça piscando para a moça e oferecendo o braço para que fossem ao Salão Principal.
(Source: tim-westenberg)

Heroes - David Bowie
Apesar de ser uma pessoa desleixada Timothy Westenberg realmente se esforçou, ainda que o mínimo, para ficar elegante durante o baile que teria no castelo. Tomou um belo banho e acabou por deixar a barba crescer bem ligeiramente já que fazê-lo não representava uma impossibilidade devido a sua metamorfomagia. Quando o horário do evento estudantil se aproximou o jovem tirou o traje engomado do armário antigo de seu dormitório e deu um sorriso breve e sincero para a vestimenta feita por Corina Darling. Não fosse o cuidado da amiga era mais do que provável que o rapaz sequer procurasse com afinco uma roupa boa e que o deixasse tão charmoso quanto havia ficado depois de se vestir com o tecido espesso e de exímia qualidade.
Demorou para conseguir colocar a gravata de uma maneira digna e quando deixou sua Torre percebeu que estava um pouco adiantado de acordo o horário combinado com Dominique. Sua máscara de losangos pretos e dourados ainda estava em suas mãos e, pensando em fazer uma surpresinha desagradável a amiga, o rapaz desceu as escadarias passando direto pelo Saguão - ignorando o fato de que a jovem e ele haviam combinado de se encontrar no local - para atingir os corredores que iriam para o Salão Comunal da Lufa-lufa. Quando já estava bem próximo do que deveria ser a entrada para o local o rapaz encostou-se na parede gelada de pedra ficando perfeitamente escondido atrás de uma armadura antiga e gigantesca de metal. Deu um suspiro entediado e deixou a face se contorcer até ficar incrivelmente laranja e redonda. Era difícil dizer se Tim era completamente louco ou se sua ideia era de fato muito original. Sua cabeça havia se transformado em um globo colossal que, bem aos poucos, tomou a forma quase perfeita de uma abóbora. Os furos dos olhos eram indubitavelmente malignos e uma luz fosca saia pelos buracos da estrutura assustadora. Esperou tranquilamente, escondido devido à falta de luz naquele ponto fixo e quando observou Dominique surgir ficou pronto para dar-lhe um susto. A brincadeira era de fato muito boba, mas Tim não ligava para isso. Quando estava com Dom geralmente eram bem infantis e sem graça um com o outro. Não queria perder esse costume. - Olá! – Disse fazendo uma voz grave e bem simples para que a noite já começasse com umas boas gargalhadas.
A sua capacidade de distorcer as minhas palavras também é uma gracinha, mas você não vai ganhar flores por isso, sabe como é, os caras com quem divide o dormitório estranhariam. Se bem que contigo sabendo o que gérberas simbolizam, duvido muito que eles não tenham chegado a conclusão de que é, lá no fundo, uma garota. Aliás, prefiro nem saber como descobriu essa coisa das gérberas, mas na aula de Herbologia é que não foi.
O caminho até o Salão da Hufflepuff é muito longo vindo da Torre da Gryffindor, vou te dar essa colher de chá e deixar que você me encontre no Saguão. Te vejo lá, então?
Sou um homem sensível, Dom. Quase uma caixinha de surpresas, ok? Entendo de flores e de bordados. Sempre um passo a frente!

Sim, te encontro no Saguão, então. Aliás, vou até sua Sala Comunal e sairei te arrastando se você demorar. Venha de pijamas, mas venha! Talvez tenha notado que sou um pouco impaciente…. Enfim.
(Source: tim-westenberg)